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terça-feira, 3 de janeiro de 2012

A CACIMBA


Tá vendo aquela cacimba
Lá na bêra do riacho,
Im riba da ribancêra,
Qui fica, assim, pru dibáxo
De um pé de Tamarinêra?

Pois, um magóte de môça
Quage toda menhanzinha,
Foima, assim, aquela tuia,
Na bêra da cacimbinha
Tomando banho de cuia!

Eu não sei pru quê razão,
As águas dessa nacente,
As águas qui alí se vê,
Tem um gosto deferente
Das cacimba de bêbê...

As águas da cacimbinha
Tem um gôsto mais mió.
Nem sargada, nem insôça...
Tem um gostim do suó
Dos suvaco déssas môça...

Quando eu vejo éssa cacimba,
Qui inspio a minha cara
E a cara torno a inspiá,
Naquelas águas quilára,
Pego logo a desejá...

... Desejo, prá quê negá?
Desejo ser um caçote,
Cum dois óio dêsse tamanho!
Prá vê, aquele magóte
De môça tumando banho!

Zé da Luz


sábado, 27 de novembro de 2010

E A TERRA CAIU NO CHÃO

Visitando o meu sertão
Que tanta grandeza encerra,
Trouxe um punhado de terra
Com a maior satisfação.

Fiz isso na intenção,
Como fez Pedro Segundo,
De quando eu deixasse o mundo
Levá-lo no meu caixão.

Chegando ao Rio, pensei
Guardá-lo só para mim
E num saquinho de brim
Essa relíquia encerrei!

Com carinho e com cuidado
Numa ripa do telhado,
O saquinho pendurei...

Uma doença apanhei
E vendo bem próxima a morte
Lembrando as terras do norte
Do saquinho me lembrei.

Que cruel desilusão!
As traças, sem coração
Meteram os dentes no saco,
Fizeram um grande buraco
E A TERRA CAIU NO CHÃO.

Zé da Luz

Na construção do açude
Do meu tio em Pé de Serra,
Eu carreguei muita terra,
Trabalhei o quanto pude.
Perdi até a saúde,
Pois minha jega era o cão...
E um dia o jegue de Adão
Deu uma carreira nela
Virou a cangalha dela
E A TERRA CAIU NO CHÃO.

Dedé Monteiro

Com jeito, calma e cautela
Numa manhã bem formosa
Eu plantei um pé de rosa
No centro de uma panela.
Cresceu e tornou-se bela
Desabrochou um botão,
Veio um dia um furacão
A forquilhinha rajou-se,
A banelinha quebrou-se
E A TERRA CAIU NO CHÃO.

Antônio Marinho

Eu plantei um pé e uva
Dentro de uma panela,
Em cima duma janela
Da casa de uma viúva.
Nesse dia, deu uma chuva
Com corisco e com trovão;
Veio o vento furacão,
E derrubou a janela,
Esbagaçou-se a panela,
E A TERRA CAIU NO CHÃO.

Bentivi Neto