domingo, 25 de setembro de 2011

EU SOU ALGUÉM QUE LHE AMA

Se nós vivêssemos juntos
Compartilhando os assuntos,
A mesa, o sofá, a cama...
Seria a minha riqueza.
Eu lhe digo com certeza:
Eu sou alguém que lhe ama.

Eu sou alguém que lhe ama
No meu peito há uma chama
Que nunca vai apagar.
Eu sei que sou seu amigo
Mas vivo a sonhar contigo
Dia e noite sem parar.

Dia e noite sem parar
Procuro me aproximar
De você cada vez mais,
Pois tendo você por perto
De uma coisa estou certo:
Me sinto feliz demais.

Me sinto feliz demais
Por saber que fui capaz
De conquistar um cantinho
Dentro do seu coração,
Por ter a sua atenção,
O seu respeito e carinho.

O seu respeito e carinho
Sempre deixa o meu caminho
Risonho e iluminado,
Mas quando você se ausenta
A saudade me atormenta,
Eu fico desanimado.

Eu fico desanimado
Por não viver ao seu lado
E o meu coração reclama.
Eu sei que sou seu amigo
Mas vivo a sonhar contigo
Pois sou alguém que lhe ama.

Hélio Leite - 2011

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

DESÂNIMO

Sem rumo, sem planos, sozinho,
Desanimado com a minha vida,
Sem saber procurar uma saída,
Perdido no meio do caminho.

No meu coração, imensa ferida...
Busquei a flor, encontrei o espinho,
Sou qual pássaro que perdeu o ninho,
Sinto minh’alma tão desiludida!

Eu não sei o que é felicidade,
Me sinto inútil, sem capacidade,
Não sei pra onde é que estou indo.

Cheios de sonhos eu já fui um dia,
Mas acabou minha fantasia
E muito infeliz estou me sentindo!

terça-feira, 20 de setembro de 2011

A RECEITA MÉDICA

(poema matuto)

Dotô eu vortei aqui
Pra vosmicê traduzi
Tudo qui aqui iscreveu,
Pois inté quem sabe lê
Num consiguiu intendê
E o papé me devorveu.

Ocê é intiligente,
Tira coração de gente,
Bota ôtro, faz batê,
Mai eu vô li preguntá:
Cuma pôde se foimá
Sem aprendê iscrevê?

Riscô essa garranchera,
Saí logo nas carrera
Pra meu remeido ir comprá,
O farmacero ispiô,
Munto tempo arreparô
E num sôbe dicifrá.

Quando pegô a receita
Dixe: - que coisa má feita,
Intendê num tem quem possa!
Isso aqui é comparado
Cuns garranchos ispaiado
Quando a gente faz a roça!

Nunca istudei, num sei lê,
Tombém num sei iscrevê, 
Má eu falo meu indioma,
São essas as minhas faia
E ocê merece gangaia
No lugá do seu diproma.

Me diga pru gentileza
Pru que é essa safadeza
De iscrevê só desse jeito?
Fique sabeno o sinhô,
Se eu pudesse sê dotô
Eu num tinha esse defeito.

O qui adianta aprendê
Mode dispois num fazê
Do jeito cuma aprendeu?
Pois eu li digo a verdade,
Sua força de vontade
De forma arguma valeu.

Se o dotô sabe iscrevê,
Iscreva qui dê pra lê,
Mostre qui é bem istudado,
Fique o dotô conheceno:
Só faz um erro sabeno
Quem já qué fazê errado!

Hélio Leite - Jatiúca, 27/07/00

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

DEIXANDO MINHA TERRA


"O que é bom dura pouco"
Diz um dito popular.
Já estou me despedindo
Do meu querido lugar,
Irei partir sem vontade
Levando muita saudade
Pois meu desejo é ficar.

Hélio Leite - Jatiúca, 16/09/11

terça-feira, 30 de agosto de 2011

REVENDO MINHA TERRA


Eu vim matar a saudade
Do lugar que eu me criei.
Rever família e amigos
Que por aqui eu deixei,
Escutar os passarinhos,
Andar nos mesmos caminhos
Que na infância eu andei.

Por aqui eu ficarei
Pouco mais que vinte dias.
Quero aproveitar bastante,
Renovar as energias
Porque logo irei voltar
Pra novamente enfrentar
São Paulo das "correrias".

Hélio Leite - Jatiúca/PE, Agosto 2011

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

MAIS UMA ANTOLOGIA

Esta é a mais nova antologia que participo
Serra Talhada - PE, 2011

(Clique na imagem para ampliá-la)


sábado, 20 de agosto de 2011

SONETO

DORES

Das dores sentidas a que mais dói
Não é dor sentida fisicamente,
Ela não se mostra aparentemente,
É a dor que por dentro nos destrói.

Ela machuca, maltrata, corrói
O nosso interior intensamente,
E quando se aloja dentro da gente,
Uma ferida incurável constrói.

É a dor do desprezo, decepção,
A dor da perda e do não conquistado,
Dor da saudade, da desilusão.

A dor de um ideal desmoronado,
A dor do fracasso, da solidão...
Essas dores me deixam transtornado.


            Hélio Leite - Jatiúca, 15/09/99

terça-feira, 9 de agosto de 2011

MEU DESEJO


Meu desejo? era ser a luva branca
Que essa tua gentil mãozinha aperta:
A camélia que murcha no teu seio,
O anjo que por te ver do céu deserta....

Meu desejo? era ser o sapatinho
Que teu mimoso pé no baile encerra....
A esperança que sonhas no futuro,
As saudades que tens aqui na terra....

Meu desejo? era ser o cortinado
Que não conta os mistérios do teu leito;
Era de teu colar de negra seda
Ser a cruz com que dormes sobre o peito.

Meu desejo? era ser o teu espelho
Que mais bela te vê quando deslaças
Do baile as roupas de escomilha e flores
E mira-te amoroso as nuas graças!

Meu desejo? era ser desse teu leito
De cambraia o lençol, o travesseiro
Com que velas o seio, onde repousas,
Solto o cabelo, o rosto feiticeiro....

Meu desejo? era ser a voz da terra
Que da estrela do céu ouvisse amor!
Ser o amante que sonhas, que desejas
Nas cismas encantadas de langor! 

Álvares de Azevedo

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

DESENCANTO

Eu faço versos como quem chora
De desalento… de desencanto…
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.

Meu verso é sangue. Volúpia ardente…
Tristeza esparsa… remorso vão…
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.

E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
- Eu faço versos como quem morre.

Manuel Bandeira
Teresópolis, 1912

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

CASA VELHA


CASA VELHA

Esta velha casa que está fechada,
De saudade e tristeza, hoje chora
Pela falta daqueles em que outrora
Foi para eles a querida morada.

Por meus avós paternos foi zelada
Mas, pra não voltar mais, foram embora.
Por esse motivo se encontra agora
Sozinha, sem ninguém, abandonada.

Pelos anos ela vem fracassando,
Não é mais como foi antigamente,
Igual ao seu dono está se acabando.

Pelo desprezo e o tempo está assim
Tão feia, tão suja, tão diferente...
Culpado é o tempo por tudo ter fim.

                            Hélio Leite - Jatiúca, 02/11/99