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quarta-feira, 5 de março de 2014

A VOZ DO ESPELHO

Triste e espantado, sem sorriso algum, 
Diz, frente ao espelho (velho amigo seu): 
- Não, não me diga, de jeito nenhum, 
Que tudo passa e que esse aí sou eu... 

 Quem foi que disse que esse vulto é meu? 
 Que eu virei “isso”... e que nós somos um? 
 Por que meu riso, que era tão comum, 
 Do seu semblante desapareceu? 

 Será um sonho, um pesadelo, enfim... 
 Ou foi a idade que passou por mim?... 
 Responde o espelho: - Disse muito bem! 

 Por que o tempo, esse carrasco mudo, 
 Que a todos muda e que transforma tudo, 
 Não passaria por você também? 

 Dedé Monteiro 
 Tabira, 18/02/2014

domingo, 18 de março de 2012

O MEU PEITO É UM CHOCALHO


Meu Pernambuco eu deixei
Já faz cinco anos e meio.
Em São Paulo, chão alheio,
Trabalho e apoio encontrei.
Meu torrão, sempre amarei,
Quero em breve visitá-lo
Quero ouvir cantar o galo
Nas madrugadas de orvalho.
O meu peito é um chocalho,
A saudade é o badalo!

            Hélio Leite - SBC, 02/08/07

Que o chocalho do seu peito
Não deixe de dar tinido,
Pois quem não sente saudades
Do berço natal querido,
Como não tem coração,
Nem era pra ter nascido.

           Dedé Monteiro - Tabira, 13/08/07

sábado, 24 de dezembro de 2011

MEU PAPAI NOEL DE CASA

(aos garotos desconhecidos deste velhinho)

Os sinos tocam contentes.
Aí Papai Noel sai
Distribuindo presentes
Como se fosse outro pai.
Durante essa missão sua,
Sobe rua, desce rua,
Sobe morro, morro desce...
Palmilha todo o terreno,
Só meu casebre pequeno
Papai Noel não conhece.

É porque eu não conheço
Onde Papai Noel mora.
Senão o meu endereço
Eu ia enviar-lhe agora.
Escrevia um bilhetinho
Pra lhe contar direitinho
Onde fica o meu chalé.
Se dizem que ele adivinha,
Por que só minha casinha
Ele não sabe onde é?

Quer saber o que se dava
Se papai fosse um ricaço?
Papai Noel não errava
As grades do meu terraço:
Chegava fora de hora,
Rondava a casa por fora,
Pela chaminé descia
E, em silêncio e sorrindo,
Deixava um presente lindo,
Pegava o saco e saía.

Chaminé muito enfeitada
Minha palhoça não tem,
Mas duma lata amassada,
Papai fez uma também.
Mas se o Senhor entender
Que ela não vai lhe caber,
Eu deixo aberta a janela.
Aí se o Senhor cansar
E achar que não deve entrar,
Jogue o presente por ela.

Reclamando desse jeito
Talvez eu esteja errado,
Pois meu mocambo foi feito
Num lugar muito atrasado:
Lá, Papai Noel não passa,
Porque não tem luz, nem praça,
Nem Parque de Diversão...
Esse Papai Noel Nobre
Não liga menino pobre
Que vive de pés no chão.

Mas papai que é mais humano,
Este ano me falou:
“Se Deus quiser, para o ano,
Seu presente eu mesmo dou!”
Papai é papai de fato!
Não é papai de boato
Como esse Noel que atrasa.
Meu papai é tão fiel
Que não tem Papai Noel
Como esse que eu tenho em casa!

Dedé Monteiro
Tabira, Dezembro de 1980

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

AS LUZES DA POESIA
SIMBOLIZANDO O NATAL

Pro Natal que se aproxima,
Quero erguer um arvoredo
Com o seguinte segredo:
O caule todo de rima;
Na copa, de baixo acima,
Um poema especial!
E, em vez de um “pisca” normal,
Só pra gastar energia,
"AS LUZES DA POESIA
SIMBOLIZANDO O NATAL!"

Dedé Monteiro - Tabira/PE

(clique na imagem para ampliá-la)

sábado, 29 de outubro de 2011

O ABRAÇO E A SAUDADE


Nem mesmo a força do vento,
Que não respeita ninguém,
Representa dez por cento
Da força que o abraço tem.

O abraço é como um laço
Que doma um touro feroz.
Não fosse a força do abraço
O que seria de nós?


A saudade verdadeira
Não cabe em “cofres” pequenos.
Martiriza a vida inteira,
Mas, dividida, dói menos. 

Dedé Monteiro - Tabira/PE



quarta-feira, 12 de outubro de 2011

DIA DAS CRIANÇAS

O FUTURO ESTÁ NA MÃO 
DE QUEM TÁ NA MÃO DA GENTE

Se o povo continuar
Refém dessa “bandidagem”,
A nossa futura imagem
Ninguém mais vai respeitar.
E só iremos mudar,
De maneira inteligente,
Grandiosa e consciente,
Se for pela educação,
Que o futuro está na mão
De quem tá na mão da gente.

Não maltrate uma criança,
Dê-lhe a mão, mostre o caminho,
Que um inocente, sozinho,
Não segue com segurança.
Mas com lições de esperança
Tudo fica diferente!
E o menor fica contente
Sentindo a confirmação
Que o futuro está na mão
De quem tá na mão da gente.

Um dia desses, meu neto
Me falou: “Vô, venha cá,
Por que é que o senhor tá
Tão triste e tão inquieto?”
Respondi-lhe: “É que o projeto
De Deus, Pai onipotente,
Diz que ‘quem pune inocente
Também terá punição,
Que o futuro está na mão
De quem tá na mão da gente.’”

E eu queria, pelo menos,
Ter a certeza de quando
Alguém estará pagando
Por desrespeito aos pequenos.
Quem não tem direitos plenos
Sabe como é que se sente?
Nem é feliz totalmente
Nem acredita um tostão
Que o futuro está na mão
De quem tá na mão da gente.

Dedé Monteiro
do livro MEU QUARTO BAÚ DE RIMAS

quinta-feira, 21 de julho de 2011

O AMOR É UM PÓ FERTILIZANTE ADUBANDO A RAIZ DO CORAÇÃO

(mote de Manoel Filó)

Nem o sol co’a grandeza do seu brilho,
Nem o vento com seu poder estranho
Tem um quarto do quarto do tamanho
Do carinho que a mãe tem pelo filho.
Pra que o mesmo não largue o reto trilho,
O seu gênio de mestra entra em ação:
Mostra a rota do sim, mostra a do não,
“Deus te guarde” é a frase mais constante.
O amor é um pó fertilizante
Adubando a raiz do coração.

Dois irmãos que se prezam de verdade,
Com amor verdadeiro de menino,
Se separam por força do destino,
Que de uni-los não mostra ter vontade...
Passam anos e anos de saudade,
Procurando a primeira ocasião
De um irmão abraçar o outro irmão,
Transformando a tristeza em sol brilhante!
O amor é um pó fertilizante
Adubando a raiz do coração.

Um rapaz se apaixona ardentemente
Por alguém que o pai quer que seja freira...
Guarda a foto da musa na carteira,
Pra lembrar seu semblante eternamente.
Só Deus sabe a vontade que ele sente
De estragar essa santa vocação...
Envelhece amargando essa paixão,
Sem jamais esquecê-la um só instante.
O amor é um pó fertilizante
Adubando a raiz do coração.

Um casal que envelhece lado a lado,
Entre risos de netos e bisnetos,
Faz balanço de todos os projetos,
Sorridente devido o resultado.
Já que tudo o que os dois tinham sonhado
Transformara-se em realização,
Do marido a mulher segura a mão,
Dá-lhe um beijo sincero e lhe garante:
O amor é um pó fertilizante
Adubando a raiz do coração.

Dedé Monteiro
Tabira, 1º/08/05 
do livro Outros Retalhos/2011