sábado, 11 de junho de 2011

DIA DOS NAMORADOS

NAMORO AINDA É MELHOR
NO DIA DOS NAMORADOS

(mote de João Alderney)

Estando com minha amada
Não vejo o tempo passar,
O mundo pode acabar
Que não lembro de mais nada.
Nesta data abençoada
Os carinhos são dobrados,
E entre beijos demorados
Nossa alegria é maior
Namoro ainda é melhor
No Dia dos Namorados.


Hélio Leite

segunda-feira, 6 de junho de 2011

GAROTO INTELIGENTE

Um garoto querendo pegar um almoço mais gostoso e mais barato, matou com uma pedrada uma das galinhas do terreiro de Patativa e levou-a para mostrar ao poeta, dizendo que era uma raposa que havia matado.
Patativa, depois de examinar a galinha, reconhecendo a trama do garoto, deu-lhe para o almoço, mas fez o seguinte:

PÉ QUEBRADO

Um garoto inteligente,
Disse um dia em minha porta:
- Olhe uma galinha morta
Que eu achei!

Há pouco presenciei
Quando a raposa pegou
E logo que me avistou
Correu.

Já que isso aconteceu,
Se Patativa e Belinha
Não quiserem a galinha
Eu quero.

Respondi-lhe: eu considero
Que uma galinha assim,
Sem ser cevada é ruim
De tragar.

Querendo pode levar
Pois até me causa espanto
Em ver que você a tanto
Se atreve.

Mas antes que você leve
Este presente esquisito
Vou fazer corpo delito
Na galinha.

Não vi marcas na bichinha
Dos dentes do animal,
Mas vi um grande sinal
De pedrada.

E eu disse: meu camarada
Sua história aqui não medra
Raposa atirando pedra
Só se eu visse!

Tudo que você me disse
Fazendo grande alvoroço
Foi pra pegar um almoço
De graça.

Por esta vez você passa
Mas vou pedir-lhe uma cousa
Não brinque mais de raposa
Em meu terreiro.

PATATIVA DO ASSARÉ

quinta-feira, 2 de junho de 2011

A TAMPA DO TABAQUEIRO

Vovô morreu muito pobre
Sem nada deixar de herança
Mas me deixou por lembrança
Um tabaqueiro de cobre.
Nunca vi coisa tão nobre,
Era um troféu verdadeiro!
Na tampa tinha um letreiro
Que o velho escreveu pra mim
Pedindo pra não dar fim
A TAMPA DO TABAQUEIRO.

Por isso eu nunca emprestava
O tabaqueiro a ninguém,
Mas quando chegava alguém
Pedindo tabaco, eu dava
O bicho nunca secava,
Pois quando estava maneiro
Eu machucava o tempero,
Torrava o fumo e fazia.
Tinha vez que nem cabia
A TAMPA DO TABAQUEIRO...

Eu estava mais do que liso
Num dia que faltou fumo...
Fiquei vagando sem rumo,
Quase que perco o juízo...
Meu irmão, com ar de riso,
Me vendo sem paradeiro,
Falou: “Vá no bodegueiro,
Peça e diga: “eu depois venho”
Ou então deixe de empenho
A TAMPA DO TABAQUEIRO...”

Eu disse assim pro meu mano:
“Já me deu dor e cabeça,
Mas inda que eu endoideça
Não faço ato tão tirano.
Embora que eu passe um ano
Aperreando o fumeiro
Não deixo de ser herdeiro
Desta coisinha estimada.
Morro e não deixo empenhada
A TAMPA DO TABAQUEIRO.

Não sei como não virei
A bola naquele dia:
Nunca vi tanta agonia
Como aquela que passei...
Somente de noite achei
Quem me emprestasse o dinheiro:
Corri pra venda ligeiro,
Mas na carreira caí
E, nessa queda, perdi
A TAMPA DO TABAQUEIRO.

Fiquei muito aperreado,
Procurei por todo canto,
Mas o escuro era tanto
Que nada deu resultado.
Já bastante encabulado,
Fui atrás d’um candeeiro.
Mas caía um chuvisqueiro,
O desgraçado apagou-se
E eu nem sei como encantou-se
A TAMPA DO TABAQUEIRO.

Voltei pra casa tremendo
Que só badalo de campa...
E a condenada da tampa
Eu parecia estar vendo.
Continuava chovendo,
Eu escutava o chuveiro.
Subia do bolso um cheiro
Que me deixava doente,
Sem poder tirar da mente
A TAMPA DO TABAQUEIRO...

Nessa noite aperreada
Não dei de sono um cochilo.
Escutei canto de grilo
Até três da madrugada...
Depois, sem café, sem nada,
Andei quase o dia inteiro.
Ninguém me dava roteiro
E eu me danava com isto.
Nem satanás tinha visto
A TAMPA DO TABAQUEIRO.

Notei que jeito não tinha,
Deixei de mão d’uma vez
Passou-se um mês, outro mês,
Sem notícia da tampinha.
Um dia, de tardezinha.
Eu tive um plano certeiro:
Pedi ao Pai Justiceiro,
Filho da Virgem Maria,
Que me mostrasse algum dia
A TAMPA DO TABAQUEIRO.

E eu não estava enganado.
Deus escutou minha voz.
A noite, dormindo a sós,
Eu tive um sonho engraçado:
Era um menino encantado,
Envolto num fumaceiro,
Dizendo: “Dedé Monteiro,
Vá lá no monturo, vá,
Que lá você achará
A TAMPA DO TABAQUEIRO.”

Acordei, corri pro muro,
Estava quase sem tino,
Pois o sonho do menino
Era verdadeiro e puro!
Inda estava um pouco escuro,
Fiz café, tomei primeiro,
Depois chamei um lixeiro,
Fomos os dois para o lixo,
Procuramos com capricho
A TAMPA DO TABAQUEIRO.

Procuramos sem repouso,
Até que o sol declinou.
Foi quando o lixeiro achou
A tampa muito orgulhoso!
E eu, muito mais jubiloso,
Paguei ao bom companheiro.
Depois mandei o ferreiro
Derreter um par de brinco,
Botar dobradiça e trinco
NA TAMPA DO TABAQUEIRO!

DEDÉ MONTEIRO
TABIRA –PE – 1969

sexta-feira, 27 de maio de 2011

TUDO POR TI

Seu eu soubesse desenhar a face humana
Eu pintaria com amor o teu rostinho
Sem te ver não suporto uma semana
Eu sou carente do teu beijo e teu carinho.

Para ir ao teu encontro, oh! querida
Atravessarei rios se possível for
Escalarei montanhas arriscando a vida
Dando prova do meu grande amor.

Andarei sob chuva e sol ardente
Enfrentarei tempestades em alto-mar
Brigarei de maneira confidente
Pelo ideal que é te amar.

Só não faço aquilo que vier
Prejudicar minha cidadania
Mas irei lutar quanto puder
Por você, com ardor e harmonia.

Miguel Leonardo

quarta-feira, 25 de maio de 2011

VIDA DE ESCADA

Sou uma escada.
Sobre mim, todos sobem
Ao mais alto dos tetos.
E eu, pobrezinha,
Vou morrendo aos poucos
Sob os pés de cada um.
De vez em quando...
Um estalo;
É um degrau que se vai.
E se vai um degrau,
Vou-me tornando
Cada vez menor
Até não ser mais escada,
Só madeira...
Que o fogo queima
E daí sou a cinza
Que o vento sopra.
Contudo, é feliz...
E divertida
A minha vida de escada
Vendo alguém subir
Sobre a simplicidade
Do meu corpo
De madeira frágil.

DIERSON RIBEIRO

segunda-feira, 23 de maio de 2011

MAL DE AMOR

O doutor me falou que eu morro agora?
Não estou no seu dito acreditando.
Se dentro sinto o coração falhando,
Forte energia eu tenho aqui por fora.

Se o compasso no peito ele demora,
É porque está calado, recordando
O belo tempo em que viveu amando
E os lindos sonhos que já teve outrora.

Médico amigo, estas razões perdoe:
Muito enganado na receita foi;
O segredo não viu, senhor doutor.

Seu estudo, a ciência e seu diploma
Nunca podem saber nenhum sintoma
De um poeta que sofre mal de amor.

Patativa do Assaré

sábado, 21 de maio de 2011

BELAS LEMBRANÇAS

Eu recordo o dia que nos conhecemos,
Lembro teu sorriso, teu timbre de voz;
Aquele passeio que juntos fizemos
Valeu muito a pena, foi bom para nós.

Foi grande o prazer que juntos tivemos
Sonhando acordados, felizes e sós,
De tão fascinados nós nem percebemos
Que o tempo passava em marcha veloz.

Não posso esquecer aqueles instantes,
Nossos aconchegos tão gratificantes
Que antecederam nossa despedida.

Criamos detalhes em vários assuntos,
Do curto período que ficamos juntos
Guardamos lembranças pro resto da vida.

OTÁVIO MAIA

quinta-feira, 28 de abril de 2011

ABRAÇO DE REENCONTRO

Suave e doce, ao coração faz bem
Saber que, em breve, quem foi, sem aviso,
Retornará à procura de quem
Guarda a metade desse “prejuízo”.

Se o que retorna diz, por seu sorriso,
Que sofreu muito quando estava além,
O que o recebe sente que é preciso
Mostrar a força que esta volta tem.

E, eletrizados pelo instante mágico,
Tudo o que, há pouco, parecia trágico,
Vira uma festa de alegria e paz!

E, ante o silêncio que transborda o espaço,
Os dois combinam no mais longo abraço,
Pra que a saudade não retorne mais.

Dedé Monteiro - Tabira, 03/02/08
do livro Outros Retalhos - 2011

quinta-feira, 14 de abril de 2011

VOU EMBORA PRO SERTÃO

Tenho andado pensativo
Em constante solidão,
Com uma saudade enorme
Dentro do meu coração.
Depois de muito pensar
Tomei esta decisão:
Quem não quiser ir que fique,
Mesmo que alguém me critique
VOU EMBORA PRO SERTÃO.

domingo, 3 de abril de 2011

SÓ TENHO AMOR

Sei que não posso lhe dar
Tudo quanto você sonha
E isso chega e me causar
Uma tristeza medonha!
Mas se quiser lhe darei
Algo, porém eu não sei
Se pra você tem valor.
Tenho bastante, não nego
E pra você eu lhe entrego
Todo o meu sincero amor.

Hélio Leite - 2001