sexta-feira, 27 de maio de 2011

TUDO POR TI

Seu eu soubesse desenhar a face humana
Eu pintaria com amor o teu rostinho
Sem te ver não suporto uma semana
Eu sou carente do teu beijo e teu carinho.

Para ir ao teu encontro, oh! querida
Atravessarei rios se possível for
Escalarei montanhas arriscando a vida
Dando prova do meu grande amor.

Andarei sob chuva e sol ardente
Enfrentarei tempestades em alto-mar
Brigarei de maneira confidente
Pelo ideal que é te amar.

Só não faço aquilo que vier
Prejudicar minha cidadania
Mas irei lutar quanto puder
Por você, com ardor e harmonia.

Miguel Leonardo

quarta-feira, 25 de maio de 2011

VIDA DE ESCADA

Sou uma escada.
Sobre mim, todos sobem
Ao mais alto dos tetos.
E eu, pobrezinha,
Vou morrendo aos poucos
Sob os pés de cada um.
De vez em quando...
Um estalo;
É um degrau que se vai.
E se vai um degrau,
Vou-me tornando
Cada vez menor
Até não ser mais escada,
Só madeira...
Que o fogo queima
E daí sou a cinza
Que o vento sopra.
Contudo, é feliz...
E divertida
A minha vida de escada
Vendo alguém subir
Sobre a simplicidade
Do meu corpo
De madeira frágil.

DIERSON RIBEIRO

segunda-feira, 23 de maio de 2011

MAL DE AMOR

O doutor me falou que eu morro agora?
Não estou no seu dito acreditando.
Se dentro sinto o coração falhando,
Forte energia eu tenho aqui por fora.

Se o compasso no peito ele demora,
É porque está calado, recordando
O belo tempo em que viveu amando
E os lindos sonhos que já teve outrora.

Médico amigo, estas razões perdoe:
Muito enganado na receita foi;
O segredo não viu, senhor doutor.

Seu estudo, a ciência e seu diploma
Nunca podem saber nenhum sintoma
De um poeta que sofre mal de amor.

Patativa do Assaré

sábado, 21 de maio de 2011

BELAS LEMBRANÇAS

Eu recordo o dia que nos conhecemos,
Lembro teu sorriso, teu timbre de voz;
Aquele passeio que juntos fizemos
Valeu muito a pena, foi bom para nós.

Foi grande o prazer que juntos tivemos
Sonhando acordados, felizes e sós,
De tão fascinados nós nem percebemos
Que o tempo passava em marcha veloz.

Não posso esquecer aqueles instantes,
Nossos aconchegos tão gratificantes
Que antecederam nossa despedida.

Criamos detalhes em vários assuntos,
Do curto período que ficamos juntos
Guardamos lembranças pro resto da vida.

OTÁVIO MAIA

quinta-feira, 28 de abril de 2011

ABRAÇO DE REENCONTRO

Suave e doce, ao coração faz bem
Saber que, em breve, quem foi, sem aviso,
Retornará à procura de quem
Guarda a metade desse “prejuízo”.

Se o que retorna diz, por seu sorriso,
Que sofreu muito quando estava além,
O que o recebe sente que é preciso
Mostrar a força que esta volta tem.

E, eletrizados pelo instante mágico,
Tudo o que, há pouco, parecia trágico,
Vira uma festa de alegria e paz!

E, ante o silêncio que transborda o espaço,
Os dois combinam no mais longo abraço,
Pra que a saudade não retorne mais.

Dedé Monteiro - Tabira, 03/02/08
do livro Outros Retalhos - 2011

quinta-feira, 14 de abril de 2011

VOU EMBORA PRO SERTÃO

Tenho andado pensativo
Em constante solidão,
Com uma saudade enorme
Dentro do meu coração.
Depois de muito pensar
Tomei esta decisão:
Quem não quiser ir que fique,
Mesmo que alguém me critique
VOU EMBORA PRO SERTÃO.

domingo, 3 de abril de 2011

SÓ TENHO AMOR

Sei que não posso lhe dar
Tudo quanto você sonha
E isso chega e me causar
Uma tristeza medonha!
Mas se quiser lhe darei
Algo, porém eu não sei
Se pra você tem valor.
Tenho bastante, não nego
E pra você eu lhe entrego
Todo o meu sincero amor.

Hélio Leite - 2001

terça-feira, 22 de março de 2011

DIA MUNDIAL DA ÁGUA


SE A ÁGUA É FONTE DE VIDA
NÃO DEIXE A VIDA MORRER

Já que não nos é possível
Barrar as águas dos rios
Para, durante os estios,
Matar a sede terrível;
Se o sol vai baixar o nível
Da água que faz viver,
É necessário aprender
A não fazê-la ofendida.
Se a água é fonte de vida,
Não deixe a vida morrer.

Nesta terra abençoada,
Embora incompreendida,
Mesmo sem ser respeitada,
A água é fonte de vida.
Fonte de vida e de paz,
Porque sua falta traz
Desespero e desprazer.
Faça o que possível for,
Trate a água com amor,
Não deixe a vida morrer.

Pra quem possui consciência,
Nada traz mais desconforto
Do que ver um rio morto
No florescer da existência.
O rio a pedir clemência
Vendo a “ferida” crescer,
E os doutores do poder
Sem cuidar dessa ferida.
Se a água é fonte de vida,
Não deixe a vida morrer.

Recife, o Capibaribe,
Em São Paulo, o Tietê:
Fossas que o descaso exibe...
E as providências, cadê?...
Se a responsabilidade
Não renascer de verdade,
Pra coisa ser revertida,
Como uma espécie que afronta,
A morte vai tomar conta,
Matando a Fonte da Vida.

Em lugar de carro-pipa
Que tanto nos faz sofrer,
Poços, cisternas, açudes...
Água pra sobreviver.
A sagrada natureza
Exige a nossa defesa
Pra vida ser revivida.
Façamos, pois, por favor,
Uma corrente de amor
Em prol da Fonte da Vida!

Dedé Monteiro - Tabira/2004

domingo, 20 de março de 2011

MAIS UM LIVRO DE DEDÉ MONTEIRO

Capa
Capa e Orelha
Contra capa e Orelha
Primeira pág.

Este é o mais novo livro do Poeta Dedé Monteiro, são 177 páginas da mais autêntica poesia sertaneja.

Uma amostra:


O NORDESTE SE ENFEITA E SE PERFUMA
QUANDO O PRANTO DA NUVEM SE DERRAMA

Sem chover, o sertão fica pra trás;
Quando chove demais, fica também.
Deus precisa ficar num vai e vem,
Sem chover nem de menos nem de mais…
Pra provar que os contrastes naturais
Fazem parte do chão que a gente ama,
Sertanejo agradece pela lama,
Mas também sem o sol não se acostuma,
E o nordeste se enfeita e se perfuma
Quando o pranto da nuvem se derrama.

Tabira, 24/06/08