sábado, 27 de novembro de 2010

E A TERRA CAIU NO CHÃO

Visitando o meu sertão
Que tanta grandeza encerra,
Trouxe um punhado de terra
Com a maior satisfação.

Fiz isso na intenção,
Como fez Pedro Segundo,
De quando eu deixasse o mundo
Levá-lo no meu caixão.

Chegando ao Rio, pensei
Guardá-lo só para mim
E num saquinho de brim
Essa relíquia encerrei!

Com carinho e com cuidado
Numa ripa do telhado,
O saquinho pendurei...

Uma doença apanhei
E vendo bem próxima a morte
Lembrando as terras do norte
Do saquinho me lembrei.

Que cruel desilusão!
As traças, sem coração
Meteram os dentes no saco,
Fizeram um grande buraco
E A TERRA CAIU NO CHÃO.

Zé da Luz

Na construção do açude
Do meu tio em Pé de Serra,
Eu carreguei muita terra,
Trabalhei o quanto pude.
Perdi até a saúde,
Pois minha jega era o cão...
E um dia o jegue de Adão
Deu uma carreira nela
Virou a cangalha dela
E A TERRA CAIU NO CHÃO.

Dedé Monteiro

Com jeito, calma e cautela
Numa manhã bem formosa
Eu plantei um pé de rosa
No centro de uma panela.
Cresceu e tornou-se bela
Desabrochou um botão,
Veio um dia um furacão
A forquilhinha rajou-se,
A banelinha quebrou-se
E A TERRA CAIU NO CHÃO.

Antônio Marinho

Eu plantei um pé e uva
Dentro de uma panela,
Em cima duma janela
Da casa de uma viúva.
Nesse dia, deu uma chuva
Com corisco e com trovão;
Veio o vento furacão,
E derrubou a janela,
Esbagaçou-se a panela,
E A TERRA CAIU NO CHÃO.

Bentivi Neto

3 comentários:

  1. marcilio siqueira9 de abril de 2011 09:54

    joão de barro um passrinho
    do nordeste brasileiro
    na beira de um barreiro
    pegou terra para o ninho
    mais o destino mesquinho
    consumou sua traição
    de espingarda na mão
    veio um caçador menino
    atirou no pequenino
    e a terra caiu no chão

    parabens pelo blog

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  2. Plantei um pé de carmim
    Num jarro bem bonito
    Pendurei num cambito
    Lá no meu jardim
    Ficou tão belo assim
    Mas veja que armação
    Um gato sem coração
    Deu um pulo bem ligeiro
    Quebrou o vaso inteiro
    E a terra caiu no chão

    Israel Batista

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  3. Um dia em um terreiro
    Tinha uma galinha ciscando
    Terra nas costas jogando
    Salta o galo do poleiro
    Fez um trabalho ligeiro
    E eu prestando atenção
    E na mesma ocasião
    A galinha se levantou
    Ligeiro se peneirou
    E a terra caiu no chão

    Miguel Alves de Lima

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